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As donas das casas

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   As mulheres que lutaram para sobreviver nas Lavras e que conseguiram êxito nas suas agências materiais, se importaram em reunir bens de raiz, como são conhecidos os imóveis. Na maioria dos casos, havia a ocorrência de residência na qual a titular do inventário morava. Entretanto, em diversas outras situações, os valores e a multiplicação de propriedades dessa natureza apontam que esses haveres serviam para fins além da necessidade básica de um teto sob o qual se poderia viver. Joana Maria de Jesus [1] era um exemplo de mulher, bem-sucedida, que decerto se dedicou à exploração de bens de raiz com imóveis urbanos. Quando seus bens foram avaliados em agosto de 1860, ela somava 10:700$000 réis em casas e terrenos para casa dentro da cidade dos Lençóis ou a pequena distância. Ao todo foram doze imóveis com cotações muito variadas que valem ser vistos com um pouco mais de detalhe; por isso os apresento no quadro adiante.   Imóveis urbanos de Joana Maria de Jesus ...

A importância de ter escravos para as mulheres chapadenses do século XIX.

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  Algumas mulheres que conseguiram reunir algum cabedal, empenhavam-se para a aquisição de escravizados. Entre essas mulheres predominava os pequenos grupos de cativos. Geralmente contavam com conjuntos de dois a cinco indivíduos. Um número bem reduzido de mulheres conseguiu uma escalada no número de cativos em seu patrimônio, mas, apesar da prosperidade, não conseguiram reunir um número semelhando aos encontrados entre os senhores do Recôncavo e de outras áreas da Bahia daquela época. As diminutas escravarias, encontradas na zona das Lavras acompanharam a tendência dos sertões circunvizinhos. Diferentes estudiosos vêm apontando essa realidade. Erivaldo Fagundes Neves [1] , um dos primeiros historiadores a se debruçar sobre o perfil das escravarias existentes em Caetité, afirmou que entre 1768 e 1883 a maioria dos senhores detinha de 06 a 10 cativos. Maria de Fátima Novaes Pires [2] , por sua vez, defende um índice levemente menor para Caetité e Rio de Contas, que oscila entre 05...

Possibilidades para ascensão das mulheres nas Lavras

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 Histórias sobre opulência e ostentação feminina ambientadas nas Lavras baianas durante a segunda metade do século XIX são fontes de inspiração para romancistas, memorialistas e narradores de outras naturezas.  Esses sujeitos esmeraram-se em construir cenários nos quais se viam mulheres formosas, em vestidos pomposos, adornadas por joias e outros atavios, cheirando a fragrâncias vindas da Europa em formato de pós, produtos para os cabelos e muitos outros itens de perfumaria. As histórias que se contam sobre Dona Maria Alexandrina dos Santos Pereira reforçam as ideias de fausto das mulheres. Diz-se que ela foi casada com o Comendador Joaquim José Pereira, abastado comerciante cachoeirano que se estabeleceu em Lençóis logo no início das catas diamantinas. Como forma de demonstrar o sucesso de seu marido, D. Maria Alexandrina não tinha mãos a medir seus atavios e, por isso, fazia questão de mostrar em público, fosse dia ou noite, suas ricas joias de ouro. Como seus adornos tinham...

A farinha como negócio feminino

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  Os inventários post mortem são fontes muito importante para o estudo das trajetórias femininas na Chamada Diamantina. No que tange aos modos de vida e trabalho, alguns desses documentos deixam transparecer a relevância do cultivo da mandioca para essas personagens. A análise do material consultado permite afirmar que, mulheres de pequenas posses estiveram atentas à potencialidade comercial da mandioca e, por isso, investiram tanto no cultivo quanto no beneficiamento da raiz, sobretudo na produção de farinha. De modo geral, o mercado de farinha de mandioca era amplo e, consideravelmente estável, uma vez que era um item quase indispensável às mesas dos baianos do século XIX.   Os usos do produto eram muito variados, e por isso, se constituiu como gênero de primeira necessidade. Era a base da alimentação de escravos e pobres, bem como poderia ser apreciada em pratos finos, nos almoços e nos jantares das famílias mais abastadas [1] . Na Chapada Diamantina as coisas não eram ...